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População Brasileira cresce mais nas Metrópoles

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Entre 2000 e 2007 a população metropolitana cresceu mais que o restante do país. Segundo a Contagem Populacional de 2007 do IBGE, nesse tempo a população das metrópoles brasileiras aumentou em torno de 6,5 milhões de habitantes. Isto representa um aumento relativo de aproximadamente 10%, enquanto a população do restante do país teve um acréscimo de 6,5% desde o inicio da década até hoje.

O Brasil, portanto, cresce mais nas metrópoles: enquanto que entre 1991 e 2000 o crescimento metropolitano representava 43% do incremento populacional do país, os dados da contagem nos revelam que nos últimos sete anos as metrópoles foram responsáveis por 47% do crescimento da população brasileira.

Essas mesmas metrópoles crescem em ritmo mais acelerado que o restante do país, embora os dados mostrem que houve uma desaceleração no crescimento da população entre os anos 2000 e 2007. Metrópoles como Brasília, Goiânia e Salvador continuam crescendo acima dos 2,5% a.a. e outras, embora tenham diminuído o ritmo, cresce em torno dos 2% a.a., como são os casos de Belém, Fortaleza, Florianópolis, Belo Horizonte e Vitória. 

O recente crescimento populacional nas metrópoles brasileiras

Juciano Martins Rodrigues - Doutorando em Urbanismo pelo PROURB/UFRJ e Pesquisador do Observatório das Metrópoles IPPUR/UFRJ.

O mundo está mais urbano, o mundo será mais urbano1. No século XX, o século das transformações, uma das mais evidentes delas sem dúvida é o crescimento acelerado das grandes aglomerações urbanas, a urbanização extensiva, onde o tecido urbano avança sobre o antigo espaço rural, materializando a complexidade socioespacial que envolve os processos de produção e reprodução da vida capitalista/industrial. 

Sabemos que algumas metrópoles brasileiras constituem atualmente grandes espaços urbanos, com extensos subúrbios e com um nível de integração municipal elevado. Ao mesmo tempo estes espaços apresentam diferenças entre si, formando uma rede urbana robusta e complexa.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou recentemente os primeiros Resultados da Contagem Populacional realizada em 5.435 municípios. Para os outros municípios, com mais de 170 mil habitantes, foi projetada uma estimativa populacional, exceto em 21 deles, que apesar de superarem este número de habitantes foram incorporados no levantamento2.

Destes 5.435 municípios, 152 fazem parte dos 17 principais espaços metropolitanos brasileiros3 , representando menos de um quarto de toda a população metropolitana. Ou seja, mais de 75% da população metropolitana faz parte da parcela projetada pelo IBGE e divulgada juntamente aos dados da contagem. Isto, entretanto, não nos impede de tecer algumas tendências do crescimento populacional das metrópoles brasileiras.

Nos últimos sete anos a população metropolitana cresceu mais que o restante do país. Segundo o levantamento do IBGE, nesse tempo a população das metrópoles brasileiras aumentou em torno de 6,5 milhões de habitantes. Isto representa um aumento relativo de aproximadamente 10%, enquanto a população do restante do país teve um acréscimo de 6,5% desde o inicio da década até hoje.

O Brasil, portanto, cresce mais nas metrópoles: enquanto que entre 1991 e 2000 o crescimento metropolitano representava 43% do incremento populacional do país, os dados da contagem nos revelam que nos últimos sete anos as metrópoles foram responsáveis por 47% do crescimento da população brasileira.

Essas mesmas metrópoles crescem em ritmo mais acelerado que o restante do país, embora os dados mostrem que houve uma desaceleração no crescimento da população entre os anos 2000 e 2007. Metrópoles como Brasília, Goiânia e Salvador continuam crescendo acima dos 2,5% a.a. e outras, embora tenham diminuído o ritmo, cresce em torno dos 2% a.a., como são os casos de Belém, Fortaleza, Florianópolis, Belo Horizonte e Vitória.

Internamente nas metrópoles os municípios periféricos aparecem mais dinâmicos que os seus núcleos, entretanto, é importante destacar que há um claro arrefecimento do ritmo de crescimento destes primeiros. Entre 1991 e 2000 os municípios periféricos, a uma taxa de crescimento anual de 3% aumentaram sua participação de 39% para 43%, mas nos sete anos seguintes esse incremento não chegou a 1%.

No que diz respeito à essa diminuição do ritmo de crescimento dos municípios periféricos - o que não implica em dizer que a população não está se desconcentrando no interior das metrópoles - o exemplo mais emblemático é Belém. Na área metropolitana nucleada pela capital do Pará havia em 2000 um município com uma das maiores taxas de crescimento populacional. Trata-se de Ananindeua, que entre 1991 e 2000 cresceu a uma taxa anual próxima a 18% e que entre 2000 e 2007 não figura nem entre os 10 municípios metropolitanos que mais cresceram. Nesse contexto, Belém, na década de 90 apresentou o crescimento periférico mais expressivo, com esses municípios crescendo a 14% a.a..

Nos primeiros anos da década atual o levantamento do IBGE revela que a área metropolitana de Goiânia apresenta as maiores taxas de crescimento tanto no núcleo da metrópole como também nos municípios periféricos. Neste caso inclusive, o conjunto de municípios que completam a região metropolitana apresenta taxa de crescimento anual acima de 3,5%, constituindo a periferia metropolitana que cresce em ritmo mais acelerado.

Vale lembrar que embora os dados indiquem uma diminuição no ritmo da desconcentração populacional no interior das metrópoles brasileiras na maioria delas os núcleos apresenta taxas de crescimento inferiores aos demais municípios, exceto em Brasília, Florianópolis e Maringá, estes espaços, entretanto, apresentam como uma das suas características principais uma alta concentração no núcleo metropolitano, como aponta o relatório do Observatório das Metrópoles/IPARDES-PR/MCidades.

Nestes últimos anos o núcleo cresce menos inclusive nas maiores metrópoles, como São Paulo, Rio de janeiro e Belo Horizonte. Nesta ultima, por exemplo, a taxa de crescimento anual dos municípios periféricos supera 2,5%. Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro a taxa de crescimento desses municípios chega a 1,5% enquanto o núcleo mantém o crescimento da década anterior, em torno de 1%.

O Brasil é marcado como um país que se urbanizou de maneira acelerada, a metropolização agora é fato e estende para além do litoral. Simultaneamente ao aumento da importância demográfica desses grandes espaços metropolitanos vimos crescer constantemente os problemas de ordem social, cujos principais exemplos são a pobreza e a violência.

Observações

1 - O órgão das Nações Unidas responsável pelos estudos de população (UNFPA) estima que em 2008 o mundo alcançará a marca de 3,3 bilhões de habitantes urbanos e, pela primeira vez na história, a população urbana será maioria. UFPA. Situação da População Mundial 2007: Desencadeando o Potencial de crescimento Urbano. Nova York, NY, 2007. Disponível para downloada em www.unfpa.org.br.

2 - A contagem foi realizadas em 5.414 municípios com população abaixo de 170 mil habitantes e em outros 21, listados a seguir: Rio Branco (AC), Arapiraca (AL), Maceió (AL), Manaus (AM), Macapá (AP), Imperatriz (MA), São Luís (MA), Campo Grande (MS), Dourados (MS), Cuiabá (MT), Várzea Grande (MT), Campina Grande (PB), João Pessoa (PB), Teresina (PI), Mossoró (RN), Natal (RN), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Aracaju (SE), Nossa Senhora Do Socorro (SE), Palmas (TO). Mais informações, podem ser encontradas no site do IBGE: www.ibge.gov.br.

3 - Para esta análise do crescimento recente selecionamos estas 17 áreas metropolitanas. Destas 15 são consideradas espaços metropolitanos na hierarquia definida do relatório “Análise das Regiões Metropolitanas: Identificação dos espaços metropolitanos e construção de tipologias” (Disponível para download em www.observatóriodasmetropoles.ufrj.br) . Natal e Maringá, foram incluídos porque, além de serem regiões metropolitanas legais, fazem parte da rede Observatório das Metrópoles.

Última atualização ( FRI, 26 de Setembro de 2008 15:38 )