Produtos da Pesquisa

Utilizando o material obtido pela pesquisa quatro dissertações de mestrado foram defendidas no IPPUR. O resumo de cada dissertação é apresentado:

1. Autora: Ana Carolina Christovão

Título: A vizinhança importa: Desigualdades e educação no morro do cantagalo - RJ

O objetivo desta dissertação é investigar os efeitos dos espaços segregados sobre a escolarização de crianças residentes em favelas localizadas em áreas abastadas da cidade. Nossa hipótese defende que este tipo de vizinhança (segregada) teria um efeito (negativo) sobre o processo de escolarização; seja influenciando aspectos relativos à socialização das crianças que nela residem, seja afetando o funcionamento da escola localizada neste espaço. Esta dissertação toma como referencial teórico a articulação entre alguns conceitos do sociólogo francês Pierre Bourdieu, como a escola reprodutora, os excluídos do interior e os efeitos do lugar, e a noção de efeito vizinhança, fundamentada em teorias da Escola de Chicago. Nossa investigação trata de um estudo de caso, que tem como objetos empíricos: i) a favela Morro do Cantagalo, localizada no bairro de Ipanema, no município do Rio de Janeiro; ii) a escola pública Vênus, localizada neste mesmo bairro; iii) um grupo de alunos da quarta série do ensino fundamental desta escola e que reside no Morro do Cantagalo. O caso estudado revela que os conflitos próprios da cidade, estão presentes dentro da escola, e que eles interferem – negativamente – no processo de escolarização das crianças. Tais conflitos dizem respeito à relação entre as favelas e os demais espaços da cidade. Ao contrário de estar desaparecendo, a fronteira que separa estes espaços, está cada vez mais demarcada e clara, produzindo assim efeitos, muitas vezes perversos, sobre a vida dos indivíduos. Nossa conclusão é de que, mesmo sem que haja uma demarcação explícita, a segregação entre a favela e o bairro no Rio de Janeiro, existe e produz efeitos negativos, entre outros aspectos, sobre o processo de escolarização das crianças.

2. Autora: Carolina Zuccarelli

Título: Segregação Urbana, Geografia de Oportunidades e Desigualdades Educacionais no Rio de Janeiro

Este estudo tem como objetivo investigar as diferentes estratégias de escolarização utilizadas por famílias de segmentos populares na Gardênia Azul, bairro da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. A ideia é buscar entender de que forma as redes de relações sociais conformadas na vizinhança podem afetar a percepção dos indivíduos ao escolherem a escola onde vão matricular seus filhos. O conceito de geografia de oportunidades foi fundamental nesse sentido, pois relaciona o processo de tomada de decisões com o contexto geográfico dos indivíduos. A hipótese é de que existem variações tanto objetivas quanto subjetivas associadas a esse processo. Dessa forma, buscou-se averiguar de que forma as redes de relações sociais podem funcionar como uma fonte de informações e de circulação de recursos que impacta na geografia subjetiva de oportunidades e que possibilita, tendo em conta a geografia objetiva de oportunidades, a circulação dos indivíduos na rede de ensino do Rio de Janeiro.

3. Autor: Gabriel da Silva Vidal Cid

Título: Segregação urbana e Segmentação escolar : efeitos do lugar num equipamento público de ensino no interior de um condomínio fechado no bairro da Barra da Tijuca

A presente investigação busca discutir os efeitos do território num equipamento de ensino público na cidade do Rio de Janeiro. A partir de um estudo de caso, uma escola pública municipal no interior de um condomínio fechado no bairro da Barra da Tijuca, pretende-se dialogar com literatura que vem pensando a configuração de uma nova urbanidade, onde desigualdades sociais inscritas no território acentuam-se. Visto o processo de diferenciação dos espaços da cidade, a categoria “enclave fortificado” é utilizada para se pensar os efeitos de uma vizinhança rica e autossegregada, na constituição de um específico espaço escolar. Dialogando com a literatura que vem entendendo as características das escolas enquanto fator relevante na dinâmica de reprodução das desigualdades sociais, almeja-se compreender as particularidades do efeito de um território autossegregado na constituição do cotidiano escolar e como tal fato insere-se na constituição da estrutura das oportunidades educacionais.

4. Autora:Mariana Milão

Título: Escola de favela ou escola na favela?

Vários indicadores educacionais brasileiros registram melhorias na década de 90. No entanto, persistem substanciais desigualdades no interior do sistema: entre os estudantes, entre as escolas, entre classes de uma dada escola e entre as regiões em que se localizam as escolas. O objetivo desse trabalho é compreender se, na cidade do Rio de Janeiro, a organização institucional de uma escola no interior da favela é a mesma de outra instituição de ensino no “asfalto”. Assim, busca captar a influência do território de localização da escola no seu funcionamento. Procura fazer uma reflexão, a partir de um estudo de caso, sobre a oferta escolar proporcionada aos alunos em escolas da rede pública municipal da cidade do Rio de Janeiro localizadas em contextos territoriais distintos (dentro e fora da favela). O objeto da pesquisa é composto por duas escolas localizadas no bairro da Tijuca, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro: uma, localizada no interior da favela do Borel e outra no “asfalto”, porém próxima a este local. Contribuíram para a análise dados do Censo Demográfico (2000), a georeferenciação dos dados dos Disque-Denúncia (METRODATA, 2008), os dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estudo e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (2002, 2004 e 2005) e a descrição qualitativa das escolas. O estudo permite concluir que a escola localizada na favela, apesar de possuir mais recursos, não apresenta melhor desempenho que uma escola com menos recursos fora da favela, por não oferecer um “clima escolar” propício à aprendizagem. Tal fator ocorre, em grande parte, pela sua localização territorial que exige “regras paralelas”, impede a abertura da escola em dias de confronto entre quadrilhas e com a polícia, desestimula o corpo docente e contribui para o isolamento espacial e social do corpo discente.