Apresentando a Pesquisa

Maria Josefina Gabriel Sant’Anna

A proposta de pesquisa*

Introdução

O presente relatório, aqui em versão digital, é resultado da pesquisa “Testando o “efeito vizinhança” e “efeito escola” na explicação dos diferenciais de desempenho escolar”, desenvolvida no âmbito do Observatório das Metrópoles1, coordenada pelo professor Luis César de Queiroz Ribeiro (IPPUR/UFRJ) em parceria com a professora Maria Josefina Gabriel Sant’Anna (PPCIS/ UERJ) e com a consultoria da professora Maria Ligia Barbosa (IFCS/UFRJ).

A proposta da pesquisa volta-se para a investigação das relações entre a organização social do espaço urbano e o funcionamento das instituições escolares começam a ser analisadas como um possível fator interveniente na definição de trajetórias escolares. Do mesmo modo que os recursos econômicos, sociais e culturais das famílias produzem seus efeitos de forma variada, segundo os modos de funcionamento da escola, também os efeitos da composição social do espaço urbano podem ser compreendidos não apenas como contexto, mas como forças que modelam formas específicas de funcionamento da organização escolar.

A abordagem empírica direcionou-se para as escolas municipais localizadas em bairros típicos da divisão social da cidade do Rio de Janeiro, visando identificar suas características e seu funcionamento. Supõe-se que certos atributos das escolas – como organização funcional e instituição socializadora – auxiliam na explicação dos diferenciais de desempenho escolar de crianças e adolescentes. Como recurso de pesquisa recorreu-se a entrevistas com a diretora da escola, com a professora da turma de 4ª série acompanhada e com os pais dos alunos, além do recurso à observação direta em aulas de português e matemática e aos diários de campo. O desempenho dos alunos da 4ª série foi avaliado por meio de testes de matemática e de português produzidos pela UNESCO/OREALC, traduzidos por Maria Ligia Barbosa, sendo a mesma prova aplicada nas duas ocasiões. Nossa amostra inclui 331 alunos da quarta série do ensino fundamental, que realizaram as provas cujo conteúdo referia-se ao final da terceira série.

A prática de campo realizou-se em duas fases diferenciadas. A primeira teve início no começo do ano letivo de 2005, quando uma equipe de bolsistas da área de Ciências Sociais, seguindo metodologia previamente definida, pesquisou um total de 10 escolas. A segunda observação foi realizada ao longo do ano de 2006 e baseou-se em uma metodologia de caráter mais qualitativo, que teve como suporte o curso oferecido pela professora Karina Kuschinir (IFCS/UFRJ) aos bolsistas envolvidos na pesquisa. Este curso direcionou-se à atuação do pesquisador em situações de campo e ao aprimoramento do olhar antropológico em pesquisas urbanas.

Vale lembrar que paralelamente a essa investigação, outro grupo de bolsistas iniciou a pesquisa em novas escolas municipais voltando a utilizar a metodologia da primeira fase. Deste modo, em 2005 foram pesquisadas 10 escolas. Em 2006, 05 escolas foram investigadas segundo a metodologia qualitativa mais aprofundada e outras 05 foram investigadas com base na primeira abordagem metodológica. No total tivemos então 20 observações de pesquisa, realizadas em um total de 17 escolas, vez que 03 escolas foram observadas duas vezes, utilizando as duas metodologias de pesquisa.

O texto aqui apresentado reúne os relatórios finais de cada uma das observações realizadas, elaborados pelos seus respectivos pesquisadores que integram nossa equipe de pesquisa. Estão reunidos os relatos que apresentam de forma detalhada os diversos momentos e etapas da pesquisa, configurando uma visão global de cada escola investigada.

*Este texto é uma versão modificada do artigo que autora apresentou em Sant’Anna, Maria Josefina Gabriel O papel do território na configuração das oportunidades educativas: efeito escola e efeito vizinhança In: Carneiro, Sandra Maria de Sá (org.). Cidade: olhares e trajetórias. Rio de Janeiro: Garamond, 2009.

O Observatório das Metrópoles é uma rede de instituições de pesquisa, formação e extensão universitária. É coordenado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordenada pelo prof. Reúne equipes de pesquisadores, todas trabalhando no estudo das tendências e das transformações das metrópoles brasileiras, geradas pelos efeitos das mudanças econômicas, sociais, institucionais e tecnológicas por que passa o país nos últimos 20 anos, em diversas metrópoles, nomeadamente, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Recife, Salvador, Natal, Fortaleza, Belém, e na aglomeração urbana de Maringá.